Utilização de Recursos Educacionais Abertos (REAs)

Maio 11, 2009

Enquadramento

O processo de utilização de REA que se documenta insere-se numa Unidade Curricular intitulada Segurança Industrial, oferecida como opção aos alunos do 5º ano do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, bem como a alunos de outros cursos cujos planos curriculares o possibilitem.
Um dos temas abordados nessa U.C. é o Trabalho em Espaços Confinados, que constitui o assunto do presente post.

Objectivos

Os objectivos que se pretendem atingir são:

1. A consciencialização dos estudantes em relação aos riscos inerentes a este tipo de trabalho (ocorrem com frequência acidentes mortais).

2. Reconhecimento de várias situações perigosas.

3. Quantificação de algumas situações perigosas.

Selecção do REA

A utilização do REA insere-se no primeiro objectivo. Trata-se de um vídeo produzido pelo CSB (U.S. Chemical Safety and Hazard Investigation Board), intitulado Hazards of Nitrogen Asphyxiation: Fatal Accident at Valero Refinery, que pode ser obtido do site do CSB ou do YouTube.

Por quê um vídeo? Por quê este vídeo?

  • Em termos de captação da atenção, um vídeo é provavelmente o objecto mais eficaz, pela conjugação do som ou voz com a imagem em movimento.

O vídeo apresenta um “estudo de caso” de um acidente ocorrido numa refinaria norte-americana que resultou na morte de dois operários após a sua entrada num espaço que tinha sido inertizado com azoto.
Embora seja a descrição de um caso particular, a sua realização cuidada expõe os principais factores que podem ocorrer neste tipo de acidentes:

  • informação deficiente fornecida aos operadores.
  • pressão para terminar o trabalho dentro do prazo, o que leva o pessoal envolvido a correr riscos.
  • impulso altruísta que leva uma pessoa a tentar salvar outra que se encontra em perigo, sem se assegurar que ela própria dispõe das condições adequadas para realizar o salvamento. E em vez de uma vítima passa a haver duas.

No seguimento da visualização deste vídeo virão dois outros componentes deste módulo, para satisfazer os objectivos 2 e 3.

O primeiro (Objectivo 2) será baseado no texto Safework in Confined Spaces do Health and Safety Executive do Reino Unido. Embora não seja formalmente um REA, parece que o Crown Copyright que exibe possibilita a sua utilização no contexto de uma U.C. universitária [Peço ao José Mota que confirme (ou não) esta minha suposição].

As razões da utilização deste texto são, por um lado, a cobertura apropriada do assunto e por outro, a sua clareza.

Alguns itens do conteúdo deste documento virão a ser objecto de avaliação no final da U.C.

Tratando-se de uma U.C. integrada num curso de engenharia, existirá (Objectivo 3) um componente que consiste num pequeno conjunto de problemas quantificando certos aspectos dos riscos do trabalho em espaços confinados, em particular a composição da atmosfera.

Este componente será inspirado no artigo de Torloni e Salvagnini, Higiene Ocupacional (ou morte ocupacional) publicado na Revista de Graduação da Engenharia Química. Assumo novamente que o facto de se tratar de uma revista on-line que não apresenta qualquer restrição expressa à sua utilização faz com que possa ser considerado um REA.

Um pequeno teste formativo preenchido e classificado on-line completará este módulo.

Nota final

Um problema de que tomei consciência durante a preparação deste post é a dificuldade que em certos casos existe na identificação correcta do que é um REA.  É preciso que seja declarado formalmente que o material pode ser usado, adaptado, transformado? O facto de estar na Web sem restrições explícitas fazem com que seja um REA? Talvez fosse um tema apropriado para discussão no FIEL01.

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Recursos Educacionais Abertos (REAs): serão, aqui e agora, uma condição necessária para a viabilização do e-learning ?

Maio 4, 2009

Com o aparecimento e expansão da Internet, sobretudo depois de esta assumir a forma da World Wide Web, forma-se o “caldo de cultura” que possibilita a multiplicação de experiências de ensino/aprendizagem on-line. Neste contexto, os REAs aparecem como a disponibilização de materiais que num passado recente só seriam acessíveis mediante inscrição, pagamento, password

Potencialidades

  • Utilizar os REAs para tornar possível a estudantes em regiões carentes de estruturas de ensino formal o acesso a materiais diversos: textos das aulas, bibliografia diversa, vídeos, testes e exames, muitos deles produzidos por professores de universidades de referência.
  • Os REAs materializam pela primeira vez na história o carácter público e universal do conhecimento, aquilo que as bibliotecas públicas fizeram no passado de uma forma limitada.
  • Estas potencialidades estão ainda condicionadas, por um lado pelo acesso à rede, por outro pela disponibilidade de computadores.

Oportunidades

  • Podermos começar na nossa actividade a transição de cursos para o b-learning “queimando etapas”, isto é, sem necessidade de desenvolver a quantidade de materiais de ensino que seria necessário desenvolver se partíssemos do zero. Poupança quer em “mão-de-obra” quer em recursos financeiros (veja-se o investimento envolvido nos casos que estudámos na Actividade 4).

Riscos

  • A monitorização do trabalho dos alunos é tanto menor quanto mais dispersa for a aprendizagem. Isto levanta problemas  a) ao nível de hábitos errados de trabalho – montagem acrítica de textos, figuras, etc obtidas na Web, sem elaboração própria, e  b) ao nível da avaliação – apresentação de trabalho alheio como trabalho próprio, sem atribuição de crédito ao autor original – plágio. O que levou diversas instituições a desenvolver ferramentas para detectar fraudes no trabalho académico (por exemplo VeriGuide, desenvolvido na Universidade Chinesa de HongKong).
  • A introdução de novas metodologias de ensino deve ser feita de forma cuidadosa e gradual – a utilização dos REAs não constitui uma excepção a esta regra de bom senso. Uma experiência falhada é uma arma nas mãos da brigada “Eu sempre disse que não ia resultar!”
  • Segurança informática – A plataforma a usar para uma utilização intensiva destes recursos tem que ser gerida de forma profissional e com uma atenção extrema aos problemas de segurança.

Desafios

  • Convencer as nossa instituições que já estamos no Século XXI…
  • Convencer o número suficiente de docentes do ensino superior – suficiente em termos da criação de uma “massa crítica” – de que o e-learning veio para ficar, e que terão de passar a usar os novos meios de difusão de informação se não quiserem “perder o comboio”.
  • Mas para isso, será necessário convencê-los do interesse em apanhar esse comboio, isto é, de que a componente de ensino das suas carreiras é tão importante como as componentes de investigação, de gestão e de ligação à sociedade…
  • … o que pressupõe a transformação do actual Ministério da CIÊNCIA, Tecnologia e ensino superior em Ministério da CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR.
  • Curtis Bonk é o autor de “The World is Open”, que tem como subtítulo How Web Technology is Revolutionizing Education. No site dedicado à promoção do livro  apresenta parte de uma entrevista dada ao Christian Science Monitor, onde sob o título genérico Why “Share” and how can OER and OCW benefit people in these difficult economic times?, enumera

A. Here are 10 reasons that instructors share course contents online:
B. Here are 10 reasons institutions of higher learning like MIT, Notre Dame, Tufts, Utah State, and Johns Hopkins place courses and programs online:
C. 10 reasons why someone might use OER and other online contents:
D. 10 OER Types of Resources and Organizations:
cuja leitura se recomenda, em particular porque tem argumentos “utilizáveis” no que respeita aos dois primeiros desafios.

  • Um dos receios que me parecem implícitos em certas críticas à disponibilização de conteúdos na Web e ao e-learning é o receio do esvaziamento do contacto directo. A meu ver, este receio é infundado: como se pode ver num dos vídeos introdutórios, quando o MIT tomou a decisão de colocar gratuitamente na Web todos os seus cursos (nesta data estão disponibilizados mais de 1800 cursos), considerou que o que dava importância ao MIT não eram os conteúdos, mas a interacção entre professores e estudantes, o ambiente académico onde despertam novas ideias. Ou seja, a disponibilização dos conteúdos pode fazer salientar o verdadeiro valor das instituições.
  • A questão da “abertura” (openness) dos recursos prende-se ainda com a Problemática do copyright / direitos de autor.

Este problema é analisado com algum detalhe no Relatório de Illka Tuomi indicado na bibliografia para a Actividade 5, sobretudo em relação à génese da legislação sobre o copyright.

Na blogosfera portuguesa, estas questões têm vindo a ser discutidas com algum ênfase: duas posições bem demarcadas são as de Desidério Murcho, no blogue The Rerum Natura – contra a “abertura” e a gratuitidade de um modo geral – e de Ludwig Krippahl, no blogue Que Treta!, a favor da mesma. Uma polémica a seguir pelos interessados no assunto.

  • Em tempo: Um argumento a favor da informatização dos cursos que tende a ganhar peso nos tempos que correm é que no caso de uma pandemia, com a necessidade de evitar aglomerações de pessoas, o ensino/aprendizagem poderia continuar. Isto começa a fazer parte dos planos de contingência para assegurar a continuidade da actividade (“business continuity”) de muitas instituições.

A fechar

A minha resposta à questão colocada no título é assim afirmativa. O uso dos REAs permitirá arrancar com experiências “de demonstração” que as nossas instituições não teriam recursos para financiar “de raiz”.

No Dia Mundial do Livro…

Abril 23, 2009

… retardo a minha saída do carro para acabar de ouvir “Os Sinais” de Fernando Alves, na TSF. Diz ele, com a sua inconfundível voz “de rádio”, o poema “A palo seco” de João Cabral de Melo Neto, um dos poetas de que mais gosto, e que fala do flamencoel cante jondo – de uma forma seca, contida e ao mesmo tempo luminosa.

E lembro, há muitos anos, ainda os dias eram escuros, uma representação da peça “Morte e Vida Severina” do mesmo poeta, com música do Chico Buarque, pelo Teatro dos Estudantes da Universidade Católica de São Paulo, num Império completamente cheio…

Como dizia o outro, “isto anda tudo ligado!” 🙂

Tenham um bom Dia do Livro!

Já está…

Abril 23, 2009

… terminado o Estudo de Caso. Espero não ser muito penalizado por ter “entregue” quase duas horas depois da meia-noite 😛

Leituras

Abril 19, 2009

1. O material publicado sobre o caso escolhido: The Ohio State University – Introductory Statistical Concepts.

2. Carol A. Twigg, Improving Learning and Reducing Costs: Redesigning Large-Enrollment Courses,

Center for Academic Transformation, Rensselaer Polytechnic Institute, Troy, NY, USA (http://www.center.rpi.edu).

Um paper com 26 páginas mas muito “sumarento” 🙂

Desde quarta-feira…

Abril 17, 2009

… a tentar wikiar (mais difícil que blogar!). Mas já escolhi o caso a estudar e há trabalho para o fim de semana 😦

Quase a fechar a porta…

Abril 8, 2009

…do gabinete e a derivar para áreas mais setentrionais. Até meio da próxima semana ligações à Web apenas de sítios públicos e muuuuito espaçadas. Regressaremos com as baterias recarregadas 🙂

Estamos quase…

Abril 5, 2009

no fim das duas semanas iniciais. Diiguei ontem o 3º link, todos os blogues estão no Reader, creio que não me esqueci de nada. Agora vamos discutir? 😛

Arrumações…

Março 30, 2009

Para facilitar a vida a futuros visitantes (wishfull thinking 😛 …) as ligações para os blogues dos colegas vão ali para a coluna da direita (work in progress…)

Cumprimentar os vizinhos, bookmarks no Diigo e dois dedos de conversa no C@fé…

Março 29, 2009

Dada uma volta pelos blogues já criados e deixado um comentário em cada um.

Adicionados ao Google Reader.

Dois links colocados no Diigo; o problema maior será o tempo para ler tudo o que lá é colocado. Mínimo: 26X3=78 referências, muitas com múltiplos links!